A expectativa pela Ponte Binacional Brasil-Bolívia, que ligará Guajará-Mirim a Guayaramerín, atingiu um novo pico com a realização da Audiência Pública no próximo dia 17, às 14h, no auditório da Unir em Guajará-Mirim. A mobilização, incentivada pelo Senador Confúcio Aires (MDB), que garantiu a presença do responsável pela obra, deveria ser o ponto alto da articulação política local.
A construção é vendida como a celebração da "integração", cumprindo a promessa de mais de um século do Tratado de Petrópolis. No entanto, o motor real do projeto é puramente logístico: a ponte é uma "espinha dorsal" para o escoamento de commodities de Rondônia e da Bolívia rumo aos portos do Pacífico. Com um custo inicial que ultrapassa R$400 milhões, o projeto é, antes de tudo, uma infraestrutura vital para a expansão do agronegócio exportador.
A presença do responsável pela obra, confirmada pelo senador Confúcio, e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), dão a oportunidade para a população de Guajará-Mirim e Nova Mamoré exigirem informações que vão além das promessas e apresentem detalhes sobre os planos de mitigação ambiental, transparência na gestão dos recursos, e principalmente, segurança pública.
FUTURO INCERTO
Contudo, a megalomania do projeto já acende um alerta histórico. Guajará-Mirim corre o risco de repetir o ciclo de euforia e colapso vivido por Porto Velho durante a construção das usinas. Na capital, a promessa de progresso transformou-se em caos social e urbanístico, a cidade foi sobrecarregada com milhares de trabalhadores que ficaram sem assistência após as demissões, as escolas ficaram superlotadas, e os hospitais viram sua capacidade de atendimento ruir. Além disso, a infraestrutura urbana não suportou o tráfego pesado dos caminhões e ônibus das obras, deixando um rastro de cidade abandonada.
A realidade da vigilância sobre este projeto multimilionário aponta para uma diferença de empenho dos políticos da fronteira.
MUNICÍPIOS IRMÃOS, AÇÕES DIFERENTES
Enquanto Guajará-Mirim, o município sede e mais impactado pela obra, tem visto seus vereadores manterem uma postura de passividade diante do gigantismo do projeto, a Câmara de Nova Mamoré, município vizinho, demonstrou maior seriedade ao formalizar a criação de um comitê de acompanhamento e uma frente parlamentar.

Enquanto Nova Mamoré age preventivamente com instrumentos formais para monitorar orçamento, cronograma, impactos e blindar a população do descaso, os representantes de Guajará-Mirim permanecem na inércia, levantando sérias dúvidas sobre a capacidade da sede da ponte de proteger seus próprios interesses frente ao projeto.
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