Como forma de valorização profissional e de garantir o lucro por meio da comercialização de seus produtos (fotos), fotógrafos de Rondônia, com atividades em eventos esportivos estão se unindo para combater o uso indevido de imagens. A violação, segundo eles, vai desde a utilização da foto com a marca d’água até a remoção da mesma.
As fotos feitas pelos profissionais durante a prática do esporte, são publicadas nas plataformas de vendas com baixa resolução e com marca d’água, após o pagamento os clientes recebem as fotos originais com alta definição ou com a resolução total.
Com o avanço da inteligência artificial, alguns aplicativos oferecem o serviço da remoção da proteção, e cada vez mais adolescentes e jovens têm feito uso da IA para removerem a proteção e usarem as fotos nas redes sociais sem pagar aos fotógrafos.
Esta prática tem desmotivado os fotógrafos, pois o público infantil e juvenil sempre foi privilegiado com a fotografia esportiva.
Segundo relatos e prints de vários fotógrafos, a prática é mais comum entre adolescentes.
Os fotógrafos têm o direito de suas imagens garantido pela lei. Remover a marca d'água, compartilhar ou editar sem autorização, é uso indevido de imagens e configura violação de direitos autorais conforme a Lei 9610/98.
Alguns fotógrafos, que vieram de outros municípios para os jogos escolares de Ji-Paraná, estão fiscalizando as redes sociais, e estão relatando grande incidência da prática da remoção da marca d’água.
Adilson Silva, o primeiro fotógrafo a comercializar fotos para as categorias de base em Rondônia, falou da decepção ao constatar esses fatos, ressaltando que a fotografia esportiva é a maior vítima dos prints e da remoção da marca d’água.
“É muito triste e frustrante saber que adolescentes estão usando a tecnologia para violar o direto que o fotógrafo tem sobre sua imagem, mas muito mais que a lei, deveriam considerar o tempo e altas despesas que o fotógrafo tem para fazer suas imagens”. Declarou o profissional pioneiro.
Adilson falou ainda que algo pior está sendo apurado: há quem oferece o serviço da remoção da marca d’água pela metade do valor da foto feita pelo profissional.
Fernando Vieira, de Pimenta Bueno, lembrou que para o profissional a foto não é só um momento. “Cada foto publicada carrega não apenas um clique, mas anos de experiência e muito amor pela fotografia esportiva. Por isso, peço conscientização e respeito ao trabalho dos fotógrafos. Valorizar o profissional é incentivar que ele continue presente nos eventos, registrando momentos únicos que ficarão para sempre na memória dos atletas”.
A empresa John & Tati Fotografia Esportiva, da cidade de Ariquemes, roda o estado para fazer coberturas. John falou do preço que se paga para prestar tal serviço: "percorremos centenas de quilômetros para registrar campeonatos, jogos e momentos únicos dos atletas dentro das quadras e campos. Por trás de cada fotografia existe investimento, combustível, hospedagem, tempo longe da família e muita dedicação para entregar um trabalho de qualidade e garantir nosso sustento de forma honesta. Nosso objetivo é conscientizar os atletas e o público sobre a importância de respeitar o trabalho profissional, valorizando quem está presente em cada jogo para eternizar momentos que ficarão marcados na história de cada atleta"
Como protesto os fotógrafos que estão em Ji-Paraná ficaram um dia sem fotografar o futsal, modalidade onde o ilícito é mais praticado. Alguns fotógrafos de esporte já pensam em não fotografar mais o futsal dos jogos escolares. Adilson Silva finalizou dizendo que no primeiro momento a ação dos fotógrafos será de protesto e de orientação, mas que posteriormente pretendem denunciar quem está cometendo o crime.
Fonte: Nolancenet.com.br