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Geraldo Vandré, ode ao tempo para sexo e bate-boca: como foi a votação da PEC da escala 6x1

Foram mais de 12 horas em maratona para conclusão da análise do texto

27/05/2026 23h18 Atualizada há 1 hora
Por: Chico Limeira
Geraldo Vandré, ode ao tempo para sexo e bate-boca: como foi a votação da PEC da escala 6x1

Por O Globo — Brasília

 

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6x1 em uma maratona de votações que durou mais de 12 horas, entre análises em comissão e no plenário.

Nesse período, houve bate-boca, vaias, gritos de comemoração e momentos inusitados.

O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) disse que a escala 5 por 2 garante aos trabalhadores e às trabalhadoras o direito de melhor honrar e criar sua família, além de cuidar de sua saúde, além de permitir mais tempo para o sexto.

– A escala 5 por 2, além de melhorar a vida das famílias, vai permitir que os trabalhadores e as trabalhadoras tenham tempo inclusive para ter mais filhos e, portanto, fazer sexo em paz e com mais tranquilidade.

Já o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) puxou "Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)”, de Geraldo Vandré, em defesa da aprovação do texto. A música também foi cantada pelos governistas ao fim da votação.

A análise também teve momentos de discussões acaloradas.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Votação do fim da escala 6x1 tem bate-boca e vaias

Desde a abertura da comissão especial, a sessão foi marcada pela polarização do posicionamento entre a oposição e o governo. Com a forte presença de representantes de movimentos sindicais e trabalhadores na Câmara e na reunião, deputados do governo, inclusive o presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), vestiam camisetas a favor do fim da escala.

Parlamentares da base do governo abriram a reunião criticando deputados de oposição, que declararam que vão apoiar o projeto de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que amplia a redução para uma escala 4x3. Os governistas alegam que o movimento acontece para inviabilizar a aprovação da PEC que foi negociada com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

— O que eles estão fazendo é tentar enterrar toda a proposta. E enterrar esse texto agora seria um prejuízo gigante. Eles não querem nem 4 por 3 e nem 5 por 2, eles querem continuar a 6 por 1 e estão fazendo uma manobra desonesta — afirmou a deputada Erika Hilton.

A deputada de oposição Julia Zanatta (PL-SC) disse que o apoio anunciado ontem pelo líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) tem o objetivo de dobrar a aposta da proposta apoiada pelo governo em meio à pressão popular pela medida.

— Ontem o meu líder fez uma declaração que o PL vai aderir à luta do 4x3 — disse a parlamentar que foi ironicamente aplaudida e vaiada por manifestantes na reunião — Vamos ver agora como quem propôs de fato essa proposta vai se posicionar no plenário da Câmara. É óbvio que estamos preocupados com a qualidade de vida do trabalhador, óbvio que a gente está preocupado se esse custo da mão de obra não vai recair no povo — completou.

Os ânimos foram se tensionando com o passar da sessão, principalmente a partir do início da votação, pelas 16h, com o encaminhamento da posição dos partidos pelos líderes. Em seu discurso, a deputada Erika Hilton apontou que parlamentares da oposição apoiaram uma emenda ao projeto estendendo o período de transição para 10 anos.

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu direito de resposta, e chamou a deputada de “mentirosa”

— Vou desmentir essa mentirosa que acabou de falar. Ela mentiu, não vai cortar minha palavra, eu vou provar que ela está mentindo (...) Quem assinou esta emenda foi o PP do Rio Grande do Sul e a deputada aqui sabe muito bem quem foi. Então não minta ao povo brasileiro, nós do PL somos a favor do trabalhador — disse o deputado sob vaias e gritos de “mentiroso”.

Mesmo com o desentendimento, o líder do PL encaminhou a favor do mérito do relatório, alegando que apresentará um destaque de preferência durante a votação da PEC no plenário para que passar na frente a PEC sugerida da deputada Erika Hilton (Psol-SP), para reduzir a jornada para 36 horas, sem prazo de transição. O destaque foi rejeitado.

Após a rejeição dos cinco destaques apresentados, o líder do PL rapidamente se encaminhou para a saída da comissão, onde foi recebido por manifestantes a favor da redução da jornada, com vaias e gritos de protesto. Com o passo apertado em direção ao plenário, Sóstenes reiterou o posicionamento da oposição.

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